sexta-feira, 6 de novembro de 2009

PEIXES DE ESCAMAS AZUIS




Verde ogro, verde acre, verde Cinderela...
para ouvir as vozes do mato
desligo o ventilador barulhento,
retiro um dos fones do ouvido,
acendo as lamparinas,
cantarolo Lô Borges

Mãe erva conversa comigo,
mãe erva conversa...
perambulo por todos os aeroportos,
principalmente pelos aeroportos das libélulas
e das borboletas

Meu radio liberta noticias...
e eu adoro ouvir radio...

Sou um homem muito velho,
mais que novo,
mais um arquiteto,
mais um que tropeça nos próprios pés

Penso serem as mulheres as que mais me ouvem,
por esse motivo dedico esses pensares a elas:

Leoas lindas,
tenho um coração cor de anis
para cada uma de vocês,
dezenas de girassóis,
rios de beijos...
peixes de escamas azuis,
mãos... milhões de mãos


Dom Pabrito Neruda,
poeta das mulheres,
peço vossa licença para também o ser

Primo Vinicius,
sinto-me naquela banheira em que recebias
em tua sublime nudez os caros amigos

Preciso falar no velho Villa Lobos...
esse também me acompanha constantemente
nas andanças emotivas...
nas cervejas e nos clarins

Manuel de Barros cavuca comigo o chão
para acharmos no sono das formigas
e nas sexuais minhocas
a cura para os que penduraram em suas almas
os trapos da velhice
e mataram suas crianças

(edu planchêz)

Um comentário:

sil disse...

Lindo Du,adorei a parte dedicada as leoas..andas tão sumido das minhas vistas; saudades...bjs